Tomar um empréstimo pode ser o pontapé inicial para um projeto transformador, seja na sua empresa ou na vida pessoal. No entanto, antes de assinar qualquer contrato, é essencial compreender se o recurso captado vai, de fato, gerar valor acima de todos os custos envolvidos. Uma avaliação criteriosa e bem fundamentada evita surpresas e garante que o crédito seja uma alavanca de crescimento, não uma armadilha de endividamento.
Este guia prático apresenta conceitos, fórmulas e exemplos reais para você decidir com segurança se o empréstimo vale o investimento. Ao final, ficará claro por que só faz sentido assumir dívida quando o ganho esperado supera todas as despesas financeiras.
Empréstimo é a operação em que uma instituição financeira cede recursos a uma pessoa ou empresa, cobrando juros e encargos pelo uso do capital. As razões para buscar esse instrumento são variadas, mas sempre envolvem necessidades de curto ou médio prazo.
Antes de mergulhar nos números, é fundamental diferenciar lucro bruto de lucro líquido. O primeiro representa a receita total menos custos diretos. Já o segundo, o que realmente interessa, é obtido após deduzir todas as despesas, inclusive juros e impostos.
Para avaliar a efetividade do empréstimo, adotamos o indicador Retorno Sobre Investimento (ROI), que mostra o ganho gerado em relação ao valor aplicado. Essa métrica é determinante para comparar oportunidades e tomar decisões racionais.
A fórmula básica do ROI é simples:
ROI = (Lucro Líquido do Investimento – Custo do Empréstimo) / Custo do Empréstimo × 100
Para usar essa equação, siga estes passos:
Por exemplo, se o projeto deve gerar R$ 5.000 de lucro líquido e o empréstimo custa R$ 3.000, teremos: ROI = (5.000 – 3.000) / 3.000 × 100 = 66,7%.
Além da taxa de juros anunciada, é preciso considerar encargos e tarifas que compõem o Custo Efetivo Total e impostos:
Para ilustrar, um empréstimo pessoal de R$ 1.000 pode ter:
Se a taxa cobrada pelo empréstimo for maior que o ROI esperado, a operação não faz sentido financeiro. O ideal é buscar projetos com retorno estimado do investimento superior ao custo do crédito.
Por exemplo, ao comparar um empréstimo de 4,5% a.m. com um projeto cujo ROI projetado seja de 5% ao mês, há espaço para ganhos. Caso contrário, a dívida consumirá parte do resultado e prejudicará a saúde financeira.
Todo empréstimo traz o risco de inadimplência, quando não há condições de honrar as parcelas. Isso pode comprometer o crédito futuro e gerar custos adicionais por multas e juros de mora.
Uma avaliação séria da capacidade de pagamento e análise de crédito evita surpresas. Considere cenário de Selic alta, que encarece todas as linhas de crédito e aumenta o risco de não conseguir pagar.
Especialistas recomendam não comprometer mais que limite saudável de comprometimento da renda. Geralmente, destinar de 25% a 35% da renda mensal para parcelas mantém o orçamento equilibrado e evita apertos.
Antes de contratar, cheque seu endividamento atual. Priorize quitar dívidas mais caras e avalie alternativas, como aporte de capital próprio ou investidores externos.
Em 2023, a Selic esteve em 11,75% ao ano, elevando juros médios. As taxas pessoais variam de 2,75% a 7% ao mês, enquanto o consignado gira em torno de 3% a.m.
Só vale a pena contratar um empréstimo para investir se o lucro líquido do investimento superar todos os custos financeiros. Uma análise bem-feita evita endividamento desnecessário e transforma o crédito em alavanca de sucesso. Planeje, simule e decida com segurança: o melhor empréstimo é aquele que rende mais do que custa.
Referências